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Um nova pesquisa traz as evidências mais fortes até hoje de que a cirurgia para obesidade pode curar a diabetes.

Um nova pesquisa traz as evidências mais fortes até hoje de que a cirurgia para obesidade pode curar a diabetes. De acordo com médicos australianos, pacientes que se submeteram a operações para reduzir o tamanho do estômago têm cinco vezes mais chances de se curar da diabetes em dois anos, se comparados às pessoas que combatem a doença com os tratamentos padrões.

- O estudo nos leva a repensar o tratamento de diabetes, que junto com a obesidade será o maior problema mundial de saúde nas próximas décadas - disse o autor, John Dixon, da Monash University Medical School, na Austrália. - A perda de peso melhora a resposta corporal à produção de insulina. A cirurgia é a melhor forma de atingir isso.

Comparação

A pesquisa envolveu 55 pacientes, com média de idade de 47 anos, obesos e com diabetes do tipo 2 há pelo menos dois anos. Testes sanguíneos mostraram remissão da diabetes em 22 dos 29 pacientes que haviam feito cirurgia. No grupo padrão, só quatro dos 26 pacientes atingiram a meta. Em dois anos, os pacientes da cirurgia perderam 21 kg, em média, enquanto os em terapias comuns perderam 1,4 kg. A maioria dos operados pararam de tomar drogas para controlar a diabetes e chegaram a resultados normais nos exames de sangue.

Alguns especialistas que leram o estudo disseram que novas pesquisas, mais amplas, são necessárias para ver por quanto tempo os resultados duram e quais pacientes se beneficiam mais. Além disso, é preciso comparar os riscos da cirurgia ao das terapias comuns e da exposição a diabetes.

 Pode fazer a cirurgia quem tem índice de massa corporal (IMC) maior que 35 - detalha Dixon.

Insulina e obesidade

O excesso de peso pode afetar a resposta normal do organismo à insulina. Mas Marcos Tambascia, presidente do departamento de diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, conta que já se percebeu que os obesos quando fazem a cirurgia melhoram do diabetes mesmo antes de perder muito peso. A técnica, além de promover uma redução do tamanho do estômago, faz um desvio do caminho da digestão. Do estômago, o alimento vai direto para o íleo, sem passar pelo duodeno e pelo jejuno (partes do intestino delgado). Por chegar lá menos digerido, ele estimula a produção dos hormônios GLD1 e GIP, que levam o pâncreas a produzir insulina.

- Por isso, se começou a agora a propor essa cirurgia, só fazendo a mudança do intestino, para pacientes sem obesidade mórbida - conta Tambascia. - Mas nesse casos ainda é preciso investigar riscos.

Fonte:
Jornal do Brasil

   
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